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Avaliação dos cursos de Especialização em Saúde da Família
Coordenação: Celia Regina Pierantoni
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Um dos aspectos mais críticos para o alcance dos propósitos de consolidar a Estratégia de Saúde da Família no Brasil se refere à falta de recursos humanos com formação voltada para o desenvolvimento das ações na atenção primária de saúde. Para superar esta dificuldade, o Ministério da Saúde (MS) incentiva o desenvolvimento de cursos de especialização nesta área, por meio de incentivos financeiros. Esta pesquisa tem como objeto avaliar esses processos de formação que obtiveram financiamento público para seu desenvolvimento.
 
Objetivo
Avaliar os Cursos de Especialização em Saúde da Família financiados pelo MS traçando recomendações para seu aperfeiçoamento. 
 
Metodologia
A metodologia utilizada na pesquisa combinou métodos qualitativos e quantitativos, sendo desenvolvida com a aplicação de survey a 35 coordenadores destas especializações e um estudo de caso com os egressos dos cursos do Estado do Rio de Janeiro. 
 
Resultados
Como principais resultados, destacam-se: a coordenação de curso é de enfermeiro-docente (62%), sendo 90% com vínculo com a Instituição de Ensino Superior (IES) responsável pelo curso; 87% possuem experiência em docência em saúde da família. As IES responsáveis pela titulação do curso são universidades públicas, em parceria com o MS, SES ou SMS; as condições de infra-estrutura são quantitativamente suficientes e qualitativamente adequadas. O público-alvo é constituído de médicos e enfermeiros e a estrutura do curso é fundamentalmente teórica. A aplicação dos recursos financeiros foi, prioritariamente, no pagamento dos professores, dos coordenadores e do pessoal de apoio. Constatou-se baixo impacto do curso, pelo número de concluintes (37,1% até 50 alunos e 28,6% de 51 a 100); pelas poucas turmas formadas (37,1% com apenas uma turma concluída e 31,4% de duas a quatro) e descontinuidade no desenvolvimento do curso, frente aos investimentos financeiros feitos pelo MS (R$ 12.439.068,08 repassados para 35 IES, apenas nos anos de 2004 e 2005) e face às demandas do sistema de saúde brasileiro.
 
Conclusão 
Das informações analisadas, sobressaem a falta de docentes especializados na temática específica da saúde da família, a baixa aderência da categoria médica na procura por essa modalidade de qualificação, bem como os conflitos decorrentes entre a situação idealizada e a realidade enfrentada no cotidiano dos serviços, como questões a serem enfrentadas. Fica também evidente a importância do apoio dos gestores como condição essencial para o êxito dos programas de qualificação. Pode ser observada também, de forma predominante, a pouca eficiência dos diferentes programas de especialização, considerando-se os recursos investidos e o quantitativo de pessoal especializado. Além disso, há baixa institucionalização desses cursos nas IES, uma vez que, cessado o financiamento, não são criadas novas turmas. Recomenda-se que os processos de especialização adotem metodologias interativas, articuladas com o processo de trabalho, utilizando processos educativos mediados por tecnologias (EAD, Tele-saúde, entre outros).

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